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O robô trabalha. A imagem dele também.

Um humanoide no Rock in Rio ajuda a enxergar uma disputa que vai chegar a muitas empresas: estamos comprando capacidade operacional ou uma ótima demonstração?

Rafael MilagreRafael MilagreFounder do Viver de IA
Robô apresentado na cobertura da Exame sobre o Rock in Rio. Fotografia de divulgação registrada em Lisboa em 2026.
No Rock in Rio, robô que enxerga tudo e corre a 7,2 km/h fará parte da segurançaImagem: Divulgação, via Exame. Registro do Rock in Rio Lisboa 2026.
Na dose de hoje

O essencial antes de continuar

IA fora da tela

O Yellow Pro entra na operação do festival, acompanhado por pessoas.

Dois produtos

Uma máquina pode entregar trabalho e, ao mesmo tempo, atenção para a marca.

A pergunta de compra

O que você continuaria pagando se ninguém pudesse filmar a demonstração?

Neste fim de semana

O humanoide chegou ao festival. Não sozinho.

Segundo reportagem publicada ontem pela Exame, o Yellow Pro faz parte da operação anunciada pela SegurPro para o Rock in Rio. Ao lado dele, mais de dois mil vigilantes. O uso descrito envolve percursos e interações controladas, sob supervisão humana.

Eu prestaria atenção nessa cena por um motivo diferente da novidade do robô: ela coloca dois produtos na mesma embalagem. Um é a capacidade de executar uma tarefa. O outro é a imagem de uma empresa que parece estar à frente do mercado.

Os dois podem ter valor. O erro é comprar o segundo acreditando que já comprovou o primeiro. A reportagem explica o uso planejado, mas não demonstra quanto trabalho o humanoide substitui ou melhora. Não dá para transformar sua presença no festival em prova de produtividade.

A leitura de negócio

A demonstração pode vender antes da máquina produzir

Para quem vende robótica, minha leitura é que o evento funciona como uma vitrine forte: tira a máquina do laboratório e a coloca num ambiente que o comprador reconhece. Isso pode abrir uma conversa comercial antes de resolver a operação inteira.

Pense num hotel. Um humanoide no saguão pode ser uma atração que hóspedes fotografam. Levar bagagens entre quartos, elevadores e corredores é outro serviço, com outra dificuldade. Eu não avaliaria essas duas compras com a mesma promessa. A primeira pode pertencer ao orçamento de experiência; a segunda precisa justificar uma mudança no trabalho.

Para levar à próxima reunião

Peça duas propostas, não uma promessa enorme

Se um fornecedor apresentar um robô, peça duas propostas. Uma para a interação com clientes. Outra para um percurso ou uma entrega que a máquina deve completar, incluindo o que acontece quando precisa de ajuda.

Depois faça uma pergunta simples: se ninguém pudesse filmar ou publicar essa implantação, ela ainda valeria a contratação? Se a resposta for não, talvez você esteja comprando mídia e experiência. Isso pode ser um bom negócio, desde que o preço e a expectativa sejam de mídia e experiência.

No Rock in Rio, o humanoide merece atenção. Para quem lidera uma empresa, o cuidado é não deixar a câmera decidir qual problema contratar.

Transparência editorial

Fontes desta edição

  1. ExameNo Rock in Rio, robô que enxerga tudo e corre a 7,2 km/h fará parte da segurança
Sua leitura ajuda a próxima dose

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