Todas as edições

3 min de leitura

O piloto de agente que ninguém liga por medo da conta

Quase todo piloto parado morre nas mesmas duas perguntas. Elas têm resposta objetiva, e dá para responder as duas hoje.

Rafael MilagreRafael MilagreFounder do Viver de IA
Imagem oficial do anúncio do Google sobre os novos controles de agentes na Gemini API.
Gemini API Managed Agents: 3.6 Flash, hooks, and moreImagem: Google
Na dose de hoje

O essencial antes de continuar

As duas perguntas

Quem vigia o agente e quanto ele pode gastar antes de alguém aprovar.

O vigia

Um script que roda antes de cada ação e derruba o que sair da lista permitida.

O teto

Um limite de consumo por tarefa, definido antes de ligar, não depois da fatura.

O ponto cego

O piloto não morre por tecnologia

Vejo o mesmo roteiro em empresa de todo tamanho. O time monta a demonstração, mostra o agente resolvendo uma tarefa inteira, todo mundo aplaude, e o projeto para. Não para por falta de modelo bom. Para porque ninguém sabe responder quem vigia esse agente quando ele estiver rodando sozinho, nem quanto ele pode consumir num mês ruim.

O Google passou a permitir scripts que rodam antes ou depois de cada chamada de ferramenta do agente, com poder de derrubar a chamada, e um limite de consumo total por agente somando entrada, saída e raciocínio. Minha leitura é que essas duas peças existem exatamente porque as duas perguntas travaram projeto no mundo inteiro, não só no seu.

Para fazer hoje

Uma hora para destravar o piloto parado

Nos primeiros vinte minutos, escreva a lista do que o agente pode fazer sem pedir licença. Cada item precisa ser uma ação nomeada, como consultar um relatório ou preencher um rascunho. O que não estiver na lista deve ser recusado por padrão. Essa lista é o seu vigia, e ela vale mesmo que ninguém ainda tenha escrito uma linha de código.

Nos vinte seguintes, defina o teto. Escolha um valor por tarefa que você aprovaria sem reunião, some quanto seriam cem execuções e leve esse número para quem paga a conta. Um teto combinado antes vale mais do que um relatório de gasto depois.

Nos vinte finais, escolha quem lê o registro do que o agente tentou fazer e com que frequência. Sem esse nome definido, o piloto vira responsabilidade difusa, e responsabilidade difusa é o que trava a decisão de ligar.

O critério

Ligue pequeno, com as duas respostas prontas

Se você tem a lista, o teto e o nome de quem confere, o piloto pode ligar amanhã em uma equipe só. Se falta qualquer uma das três, o problema não é a ferramenta escolhida. É a decisão que ninguém tomou ainda.

Transparência editorial

Fontes desta edição

  1. GoogleGemini API Managed Agents: 3.6 Flash, hooks, and more
Sua leitura ajuda a próxima dose

O que você achou desta edição?